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Ferramentas de Inteligência Artificial no Trabalho: Boas Práticas de Segurança e Proteção de Dados

Inteligência Artificial

As ferramentas de Inteligência Artificial (IA) estão a tornar-se parte do dia a dia nas empresas. Desde a escrita de emails e relatórios, ao apoio ao desenvolvimento de software, análise de dados ou atendimento ao cliente, a IA pode aumentar significativamente a produtividade dos colaboradores.

No entanto, o seu uso sem cuidados pode colocar em risco dados confidenciais, segurança da informação e até a reputação da empresa. Este artigo pretende ajudar os colaboradores a compreender como usar ferramentas de IA de forma segura, responsável e alinhada com as boas práticas de cibersegurança.

1. A IA é uma ferramenta de apoio, não um “colega de confiança”

Ferramentas de IA (como chatbots, assistentes de escrita ou geradores de código) não têm consciência do contexto da empresa, das suas regras internas ou das obrigações legais.

Tudo o que é introduzido numa plataforma de IA pode:

  • Ser armazenado temporariamente ou permanentemente

  • Ser analisado para melhoria do serviço

  • Ficar fora do controlo direto da empresa

Regra base: nunca partilhar com uma IA informação que não partilharia num espaço público.

2. Que tipo de dados NUNCA devem ser partilhados?

Um dos maiores riscos está na introdução de informação sensível em ferramentas de IA públicas ou não autorizadas.

Dados proibidos ou de alto risco

Nunca introduza numa ferramenta de IA:

  • Dados pessoais de clientes ou colegas
    (nomes completos, contactos, moradas, NIF, dados bancários)

  • Credenciais de acesso
    (passwords, tokens, chaves API, códigos MFA)

  • Informação confidencial da empresa
    (contratos, propostas comerciais, preços, margens, estratégias)

  • Código-fonte proprietário ou não público

  • Informação protegida por NDA

  • Dados internos de sistemas, logs ou bases de dados reais

Mesmo “só para ajudar a explicar melhor” — não é seguro.

3. Cuidado com a ilusão de privacidade

Muitos colaboradores assumem que:

“Ninguém vai ver isto”
“É só um teste”
“Não tem problema, é anónimo”

Na prática:

  • Nem todas as ferramentas garantem que os dados não são usados para treino

  • Nem sempre os servidores estão na União Europeia

  • Nem todas cumprem integralmente o RGPD

Use apenas ferramentas aprovadas pela empresa e conheça as regras internas.

4. Riscos de cibersegurança associados à IA

Fuga de informação

Uma resposta gerada pela IA pode:

  • Repetir informação sensível introduzida anteriormente

  • Misturar dados reais com exemplos fictícios

  • Ser enviada inadvertidamente a clientes ou parceiros

Engenharia social mais eficaz

A IA facilita:

  • Escrita de emails de phishing muito realistas

  • Mensagens personalizadas que parecem legítimas

Desconfie sempre de pedidos urgentes, mesmo que bem escritos.

Código inseguro

No caso de programadores:

  • Código gerado por IA pode conter vulnerabilidades

  • Pode usar bibliotecas desatualizadas ou inseguras

  • Pode violar licenças de software

Todo o código deve ser revisto, testado e validado.

5. Boas práticas para usar IA de forma segura

✔ Use a IA para tarefas genéricas

Exemplos seguros:

  • Reformular textos genéricos

  • Criar estruturas de documentos

  • Gerar ideias ou listas

  • Explicar conceitos técnicos de forma abstrata

✔ Anonimize sempre a informação

Em vez de: “Cliente João Silva da empresa X tem o problema Y”

Use: “Um cliente fictício de uma empresa do setor X enfrenta o problema Y”

✔ Revise sempre o resultado

Antes de:

  • Enviar um email

  • Publicar conteúdo

  • Usar código em produção

  • Tomar uma decisão

A responsabilidade final é sempre humana.

6. IA e RGPD: o colaborador também tem responsabilidade

O uso indevido de IA pode levar a:

  • Violação do RGPD

  • Incidentes de segurança

  • Coimas para a empresa

  • Medidas disciplinares internas

Mesmo sem intenção, um simples “copy-paste” pode ser suficiente para causar um incidente.

Se tiver dúvidas, não use — pergunte à equipa de IT, segurança ou compliance.

7. O papel do colaborador numa empresa que usa IA

A adoção de IA segura depende de todos:

  • Respeitar políticas internas de uso de tecnologia

  • Reportar comportamentos de risco

  • Partilhar dúvidas e boas práticas

  • Não contornar regras “para ganhar tempo”

A IA deve aumentar a produtividade, não criar novos riscos.

Conclusão

As ferramentas de Inteligência Artificial são poderosas aliadas no trabalho moderno, mas exigem consciência, responsabilidade e cuidado por parte de cada colaborador.

Usar IA de forma segura significa:

  • Proteger dados

  • Proteger a empresa

  • Proteger o seu próprio trabalho

Quando bem utilizada, a IA é um acelerador. Quando mal utilizada, pode tornar-se um risco sério.

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